Violento, selvagem, visceral, esmagador… É assim que se apresentou NO HABRÁ PAZ PARA LOS MALVADOS durante as filmagens e é assim que estreou – em Competição – no Festival de San Sebastian, demonstrando mais uma vez que o gênero negro é apenas um veículo para traduzir um estremecido (e excelente) retrato social da Espanha. Excepcional para o cinema latino, normal para Enrique Urbizu, sem dúvida, o cronista mais noir da atual geração espanhola.
Autor dos frenéticos TODO POR LA PASTA (1991), CACHITO (1996) e LA CAJA 507 (2002), há sete anos sem filmar desde LA VIDA MANCHA – tempo gasto no roteiro de CASTILLOS DE CARTÓN de Salvador García Ruiz – Urbizu retorna às câmeras, ao suspense e ao noir, onde é rei. Na tela, o homem que toda mulher queria ter em sua cama, convertido em uma fedorenta alma errante que certamente ninguém gostaria de ver diante de si: É Jose Coronado, igualmente rei nesse gênero
E ambos à vontade nesse castelo, o retrato do absurdo de um domingo qualquer, onde o inspetor da Santíssima Trindade, a caminho de casa, já muito bêbado, se vê envolvido em um triplo assassinato. E enquanto ele busca “justiça”, o Juiz Chacon investiga os fatos… No fim, ambos descobrem que nada é o que parece e o que começa como um simples caso de tráfico de drogas vai levar a algo muito mais perigoso.
E o que se vê na tela é a essência do suspense de ação, filmado no esgoto, na triste realidade do submundo espanhol, um pouco obscuro, um pouco ficção, servido ao publico em um prato frio de paisagens desoladas e total insegurança. O que a primeira vista parece um filme de “policial mau” se torna, aos poucos, um extraordinário filme panfleto de cunho social. Um soco no estomago que grita na tela o bordão do título: No habrá paz para los malvados! E nos, fascinados, não cansamos de ouvi-lo.
Spoiler Rating: 74
LBC Rating: ~

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