
Terence Davies deixou de lado seu caráter autobiográfico – que tanto marca sua apaixonante obra – para entrar “no fundo do mar” através de uma extraordinária experiência cinematográfica. E assim, submergidos em um vertiginoso, mas irregular, retrato de beleza e força do amor, nos encontramos em um romance da Inglaterra dos anos 50, uma viagem através dos sentimentos de duas pessoas que se encontram, se apaixonam, mas são incapazes de consumar seus sentimentos.
Baseado na obra teatral de Terence Rattigan, THE DEEP BLUE SEA é uma intensa historia romântica que conta o amor destrutivo entre uma esposa suicida de um juiz e Freddie Page, um piloto da RAF. É Rachel Weisz e Tom Hiddleston. Ambos vivendo uma grande “aventura”, uma história que transita entre AMANTES (James Gray) e DESEJO E REPARAÇÃO (Joe Wright).
E Davies filma com o rigor e dedicação que marcou cada um de seus trabalhos anteriores, o mesmo enquadramento, o mesmo movimento de câmera, o trabalho bem escolhido e significativo da música e a direção incomum de seus atores, sempre revisando a memória da sociedade a partir das emoções pessoais, sempre resgatando a fumaça da historia para descrever a geografia de um tempo e idílio perdido, onde tudo era real
E a música se infiltrando em cada quadro para transformar a tela em uma ferida aberta. Uma mulher, dividida entre o amor tranquilo do marido e paixão cruel do amante. E, de repente, a tela está mergulhada em absoluta (e abstrata) verdade. Em tom menor, é verdade. Um milagre.
O resultado é uma apaixonante exploração da natureza do amor, cuja pessimista (mas também realista) conclusão nos adverte dos múltiplos perigos que um romance mais profundo está sujeito. É o que nos diz esta emocionante viagem através da dor; É o que nos diz aqueles que sofrem, Weisz e Hiddleston, enquanto se deslocam dos palcos para as telas; É o que nos diz, enfim, Terence, que capta a essência poética e comovente da novela original com suas imagens sombrias que povoam a melancolia avassaladora de cada cena, um pouco comprometida, infelizmente, devido à falta latente de fluência na montagem.
O que torna THE DEEP BLUE SEA, não seu melhor filme, nem seu pior, mas um retrato visceral das faces de um sentimento, filmado e vivido com um classicismo estóico: Impassível. Imperturbável. Insensível.
Spoiler Rating: 72
LBC Rating: ~

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