Não há melhor professor para se aprender a amar o cinema do que Martin Scorsese. Não há melhores lições para se aprender a amar o cinema do que Elia Kazan. E eis uma carta aberta de amor de um mestre a outro mestre: UMA CARTA PARA ELIA, o ator, o diretor, o cineasta, cuja expressão de granito esconde um sorriso perturbador.

“E que sorriso seria esse?”, pergunta Scorsese. Um sorriso defensivo? Um sorriso nervoso? Talvez um sorriso especial, o sorriso de Anatólia, que está nos genes de sua alma imigrante. Um sorriso excomungado pelos efeitos devastadores de uma persona no grata, de um pária julgado pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, pelos companheiros de cinema, pela sociedade, enfim.

Para Scorsese, apesar de tudo, essa fase pós-traição foi a melhor do diretor: Anos de SINDICATO DE LADRÕES e VIDAS AMARGAS. Anos que marcaram sua adolescência. Sua vocação cinematográfica. E, assim, estabelece conexões entre sua vida e os dois clássicos indiscutíveis. Revela sua paixão, seu olhar, suas emoções diante da técnica de Kazan, sem beatificá-lo ou julgá-lo. Prefere o silencio de uma colagem de fotos, mantendo o publico numa distancia adequada, mas nostálgica.

O resultado é sincero. Humano. Hipnótico. UMA CARTA PARA ELIA desperta um interesse supremo – quase obsessivo – de (re)ver o trabalho de Kazan e conhecê-lo melhor. Não pelos olhos de Scorsese. Mas pelos nossos.

Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~

This entry was posted on Thursday, October 20th, 2011 at 2:43 pm.
Categories: SPOILERS.

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