Em THE FORGIVENESS OF BLOOD, o americano Joshua Marston filma as contradições de uma sociedade enraizada em selvagens tradições feudais. E ao fazê-lo, narra um conto fascinante, original, de um país pouco representado no mundo, a Albânia e, ao mesmo tempo, uma história universal, emocionalmente, envolvente sobre dois adolescentes colocados em situação de adultos e forçados a crescer muito, muito rapidamente.

É a historia de uma família que deve viver enclausurada, sob ameaça de morte, para pagar o assassinato que seu patriarca cometeu. É o mesmo coronelismo, a mesma lei do “olho por olho, dente por dente” que conhecemos de Érico Veríssimo em seu “Incidente em Antares”, ou Walter Salles em ABRIL DESPEDAÇADO.

Mas aqui, longe de exibir um olhar antropológico em uma cultura que não entende, o diretor usa a figura dos adolescentes para contar essa história de iniciação em um ambiente hostil. Um caixão onde a angustia se prolonga diante de um conflito que pode durar seis meses ou seis anos, e enquanto isso o mundo gira indiferente.

O mais sinistro é que o roteiro se concentra no modo como as tradições imemoriais se mantêm estranhamente intactas em tempos de Facebook e celulares. São os cordelzinhos que movem velhos acordos de honra subliminares que sobrevivem por séculos – A velha tradição oral que carrega o peso da lei.

THE FORGIVENESS OF BLOOD aborda o “prestigio da cultura” e as conseqüências negativas provocadas pela psicologia do orgulho. Marston, que assina seu segundo filme depois do excelente MARIA CHEIA DE GRAÇA, confirma um real talento para trabalhar um tema delicado e desmistificá-lo com inteligência. Embora um pouco mais de ambição e um pouco menos de contenção, tanto formal como em narrativa, não lhe fizessem mal.

Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~

Pela Assessoria de Imprensa do Festival de Berlim & Agências Internacionais

This entry was posted on Sunday, October 23rd, 2011 at 7:49 am.
Categories: SPOILERS.

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