
Se os personagens de Hong Sang-soo, a exemplo do herói dO DIA EM QUE ELE CHEGAR (THE DAY HE ARRIVES), são muitas vezes, cineastas ociosos que passam seu eterno tempo bebendo e à deriva, o diretor (o verdadeiro), por outro lado, sempre trabalha sua matéria prima com frenesi alucinante: É como se o medo da procrastinação, a busca em se distanciar de seus personagens vegetativos, o obrigue a uma hiperatividade artística. E, convenhamos, como é agradável essa música e conversa de boteco.
Porque depois dos magníficos HA HA HA e OKI’S MOVIE – ambos cada vez mais Cult –, ainda permanece a sutil construção dos complexos, a mesma simplicidade, a mesma sensibilidade, a mesma fluidez que encanta na estética de Sang-soo. Na tela, seu protagonista visita Seul por quatro dias. Ele caminha, lê e encontra amigos que veio ver e… nada mais. E entre beber, comer e beijar, esse personagem continua a mesma ilustração do gozo que ele procura desde o início.
E assim é O DIA EM QUE ELE CHEGAR, preto no branco: Em torno de reuniões etílicas e mulheres bêbadas, se constrói aos poucos um relacionamento romântico e como sempre, analisado sob uma visão precisa e irresistivelmente engraçada. O que torna impossível não se apaixonar pelo charme discreto dessa história.
O resultado, afinal, é agradável, interessante, embora repetitivo em seus temas, estruturas e efeitos. O mesmo filme e, curiosamente, um novo filme. Um cinema congelado no tempo, no espaço, que evolui ao produzir um trabalho inacessível para seus críticos: Uma surpresa e nenhuma certeza.
Spoiler Rating: 73
LBC Rating: ~

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