Depois de Brian De Palma, John Woo e JJ Abrams, Brad Bird assumiu a saga de espionagem cujo tema musical é um verdadeiro cult. A escolha, afinal, pareceu acertada: Em MISSÃO IMPOSSIVEL: PROTOCOLO FANTASMA, os super-heróis são atormentados pelas dúvidas (lembre-se que Brad Bird é o diretor dOS INCRÍVEIS) e tudo transcorre em um jogo de gato e rato ao redor do mundo (Normal: Brad Bird também fez RATATOUILLE).

O resultado é, talvez, o filme mais emocionante da franquia, o mais inventivo visualmente e um perfeito complemento ao capitulo anterior. Mérito de um enredo cheio de surpresas onde só lamento que a melhor cena de ação – a perseguição na tempestade de areia – seja tão genérica e graficamente barata. Todavia, o cineasta oferece um grande quebra-cabeça onde a infra-estrutura mais desenvolvida e a tecnologia avançada estão sempre a serviço da intriga.

Parece mesmo que a criatividade é a palavra de ordem. O desenvolvimento das seqüências de ação (algumas delas filmadas em Imax) é uma jóia de direção artística. Brad Bird brinca com espaços reflexivos (Tom Cruise escala a maior torre do mundo em Dubai), envolve as rodovias em uma tempestade de areia em uma corrida cheia de quebras rítmicas, filma espaços fechados em perigosos dutos de ventilação e obtém um clímax final emocionante onde um carro em movimento é transformado em armadilha mortal. E assim cada cena e cada ação geram uma reação eletrizante, onde o suspense explode sem fôlego, em peripécias e coreografias de morte.

E diante de tanta fúria visual, por vezes, até divertida, os atores, felizmente, não foram esquecidos: A equipe completa é uma mistura de eficaz sensualidade (Paula Patton), humor (Simon Pegg) e mistério (Jeremy Renner). Em sua sede de vingança, aprendizagem de campo ou reconstrução mental, cada personagem equilibra a balança de forma dramática. Naturalmente, um líder de olhar sedutor e frio, como Tom Cruise, completa a equação e, sim, seu Ethan Hunt sofre mais que o habitual.

Vale ainda ressaltar o excelente trabalho de legendagem da Paramount: O estúdio utiliza duas cores para sinalizar a diferença entre o russo e o inglês e mesmo quando usa o branco sobre o fundo branco, tem o respeito (ou bom senso) de deslocar o texto para melhor visualização. Melhor: Utiliza um truque metalingüístico inédito em uma cena de desorientação. Uma sacada e tanto.

E apesar da historia do espião galã contra o ditador lunático hollywoodiano ser clichê demais, MISSÃO IMPOSSIVEL: PROTOCOLO FANTASMA prova que o tema continua inesgotável e que, sim, ainda gostamos desses filmes. Cruise está em excelente forma e carrega esse aparente sucesso comercial nos ombros. Não à toa, no final, torcemos para que ele aceite a próxima missão. Quem sabe seria um quinto MISSÃO IMPOSSÍVEL?

Spoiler Rating: 78
LBC Rating: ~

This entry was posted on Thursday, December 22nd, 2011 at 3:38 pm.
Categories: FILMES.

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