
Tintim é um jovem repórter com o vicio da aventura que não desdenha as coisas menos extraordinárias em seu tempo livre, como passear pelos mercados, tirar uma foto ou comprar o modelo de um navio que esconde um segredo inevitável. Um segredo que o traiçoeiro Ivanovich Sakharine quer roubar a todo custo e por todos os meios. Por sorte, para defendê-lo e apoiá-lo, temos os desajeitados Dupond e Duponte e seu destemido Milu, um fox-terrier branco, como amigos queridos e inimigos implacáveis. Roubado de seu precioso navio, Tintim se mete no rastro do ladrão e termina prisioneiro no cargueiro do Capitão Haddock e livre para a maior de suas aventuras. E através dos mares tempestuosos e desertos escaldantes, a bordo de um barco ou hidroavião, cavalgando as ondas ou figuras na forma de unicórnio, nosso herói e o beberrão Haddock vão encontrar o maior tesouro de todos os tempos: A amizade.
E, de súbito, Steven Spielberg encontra também sua relíquia: É Tintim, seu novo “Indiana Jones” e fica melhor com um pequeno cachorro e um velho capitão bêbado da marinha. Arqueólogo incansável das imagens, sempre em busca de um tesouro narrativo, o diretor americano escava pelo tempo e nas páginas de Hergè, em busca de seu novo e melhor herói: O lendário jovem belga de cabelos vermelhos e cabeça oval, calções largos e suéter azul. E à vida – às telas -, recria literalmente uma franquia que exala o odor inconfundível da dinamite. A Peter Jackson coube a magia de fazê-lo real através de seus efeitos de captura. E a Jamie Bell, dá-lo vida, liberdade e, principalmente, a tão aguardada peripécia.
De modo geral, AS AVENTURAS DE TINTIM: O SEGREDO DO LICORNE resume todas as citações do cinema clássico spielberghiano: Referências infindáveis para subjugar seu público e facilitar a sua entrada no universo fantástico. Se a relação é mais evidente com Indiana Jones, é menos previsível com o capitão Gancho de HOOK (1991): O vilão Sakharine insiste em encontrar seu inimigo (Capitão Haddock) para reviver e repetir o mesmo jogo e a mesma luta, mergulhada ao longo dos séculos no mesmo abismo. Menos claro ainda é a correspondência com O IMPÉRIO DO SOL (1987): À maneira daquele Jim, Haddock vive com a mesmo tipo de alucinação, onde a percepção dos acontecimentos é constantemente alterada, distorcida, surreal. Quase um sussurro é também a referência de A.I – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001): Como David (o menino robô), Haddock também enfrenta uma crise de identidade e carece do mesmo afeto, o mesmo tipo de amor. E, assim, poderíamos continuar por tantas citações – indefinidamente e quase no limite do plágio – como, por exemplo, o topete vermelho emergindo do mar ao modo de um certo TUBARÃO.
Mas se o filme é feito de auto-absorção, também é repleto de descobertas: O cineasta lembra a si mesmo e a sua arte – o cinema – que há progresso: Reconhecendo respeitosamente o estilo “ligne claire” de Hergè e o traduzindo em película, Spielberg (ou Peter Jackson?) enche os olhos com os impressionantes efeitos CGI, praticamente todos corrigidos desde os experimentos de Robert Zemeckis com seu imperfeito EXPRESSO POLAR. E assim, Jamie Bell, Andy Serkis e Daniel Craig são transportados para a tela com todo o rigor e consistência emocional e, mesmo assim, com um toque da assinatura psicológica do cartunista belga. Sim, eles têm alma, tem olhar, enfim vida.
O resultado garante aos HQs um novo futuro, uma nova audiência, e dois novos episódios dirigidos por Peter Jackson. Um feito técnico sem precedentes. Um turbilhão de deliciosas sequências de entretenimento refinado. Um tesouro – mais um tesouro – para a filmografia de um visionário do cinema que ousou, mais uma vez, em revolucionar a animação e colocá-la em outro patamar. Porque, sinceramente, AS AVENTURAS DE TINTIM: O SEGREDO DO LICORNE não é animação. É um gênero novo, inclassificável e revolucionário.
Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~
Pela Assessoria de Imprensa do Festival de Roma & Agências Internacionais

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Kamila
Já que “Cavalo de Guerra” não estreia por aqui, o jeito é ficar com “As Aventuras de Tin Tin”. Assisto no domingo! Espero gostar!
Jan 13th, 2012
Reply to “As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne”