Com maquiagem carregada, roupa excêntrica e penteado estabanado, Cheyenne mora em seu glorioso passado de Heavy Metal. “Não é ele que se espelha em Mick Jagger, mas Mick Jagger que se espelha nele”. Hoje, ele gasta o seu tempo bebendo limonada através de um canudo e apostando no mercado de ações. Mal consegue colocar um pé diante do outro e sussurra mais do que fala. Ao mesmo tempo, ele faz todo mundo rir com a sua humanidade comovente. “Há algo de errado, mas eu não sei o quê.”
O erro, talvez, esteja no seu passado. Em suas origens, em seu pai que inesperadamente morre… No enterro, ele se encontra em uma comunidade ultra-ortodoxa judaica, sua linhagem que negou por 30 anos. No leito de morte, ele viu novamente o número tatuado no braço de seu pai. A herança: Um caderno com as pistas para rastrear o carrasco nazista de seu pai em Auschwitz.
THIS MUST BE THE PLACE é o inusitado retrato dessa busca e nada mais. Paolo Sorrentino filma a busca dessas raízes e seus significados, sempre opondo a superficialidade (a fama efêmera) e a essência (necessidade de encontrar). Assim, o cineasta viaja através do Atlântico, muda o cinismo e misantropia de seus filmes anteriores (IL DIVO, principalmente) para revelar um aspecto mais humano e menos desencarnado. Uma certa poesia que oscila entre a meditação, euforia e humor, em parte pela grande interpretação de Sean Penn, mas um pouco ofuscada pelos – inúmeros – maneirismos e feiúra moral tão defendida por Sorrentino.
Spoiler Rating: 69
LBC Rating: ~

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