É um desafio escrever sobre BEASTS OF THE SOUTHERN WILD sem ser subjetivo… Diria ate mesmo intimidante. É um filme tão ambicioso, tão simples, tão descontroladamente imaginativo que o vicio de ser passional é quase que obrigatório. Então, desculpe-me pela sinceridade: Esse é o Melhor Filme do ano. Esse é o Melhor Filme exibido na história do Festival de Sundance! Parece loucura. Parece exagero, mas é verdade.

Mistura de ALAMAR, BALLAST e TULPAN, é simplesmente uma historia emocionalmente devastadora e esperançosa, bela e feia, zangada e triste. É um filme independente em sua forma mais pura. Um cinema que lhe embriaga, que lhe consome, que pode até mudar sua vida.

Aqui não há atores, não há lugar. Apenas vida. Um local que antes do Katrina foi uma terra rica, ocupada por uma comunidade agitada, mas que depois das chuvas, se tornou uma pequena faixa de terra desolada com algumas pessoas vivendo a esmo, seres-ilhas que respeitam suas regras e tradições e completamente à parte da sociedade.

Os resultados desta terra mística, mágica, cheia de feras pré-históricas e folclore para curar qualquer doença, é como se fosse outro universo. Uma terra alienígena. Um limbo entre o céu e o inferno. E esse é o cenário para uma menina de seis anos (Quvenzhané Wallis) e seu pai (Henry Dwight) navegarem – literalmente – pelo bom, pelo mau e pelo feio que rodeia cada centímetro quadrado dessa existência. Como o pai está doente e doente, bruto e bêbado se recusa a buscar tratamento, ela empreende uma viagem para salvá-lo – Sua vida e seu futuro. E assim bela, espirituosa, de olhos arregalados, ela praticamente carrega o filme.

Que, aliás, se passa praticamente inteiro na água. No ermo, filmou-se a via-crucis dessa comunidade local e todas as dificuldades inerentes. O talento do roteirista e diretor, Benh Zeitlin, foi filmar justamente essa autenticidade em condições igualmente autenticas. Se os personagens estavam na água, toda a equipe filmou na água. Se eles estavam com lama até os joelhos, toda a equipe filmou com lama até os joelhos.

É dessa paixão, desse amor pela história e o desejo de contá-la que nasce BEASTS OF THE SOUTHERN WILD: Cinema de poesia e êxtase. Cheiro e gosto. Água e terra. É simplesmente o que A ÁRVORE DA VIDA deveria ter sido e não foi. A vida que TIO BOONMEE viveu e esqueceu: Exuberante, gramíneo, lamacento, lodoso, frondoso, fedido, primordial, escorregadio, aguado; Uma história de fragmentos ligados entre si como clipes de papel. Uma história que, confesso, odiaria ter, mas amei ver.

Spoiler Rating: 100
LBC Rating: ~

This entry was posted on Wednesday, January 25th, 2012 at 4:17 pm.
Categories: SPOILERS.

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