A histeria é uma forma tão extrema de sensibilidade quanto a brutalidade não é um traço de caráter. Tanto um como outro, histeria ou brutalidade, são tendências psicóticas que merecem tratamento ou, se necessário, punição. O problema é que a humanidade esta tão acostumada a compreender cada defeito como um traço de personalidade que nem se leva ao trabalho de corrigi-la. Sim, o problema é TÃO FORTE, TÃO PERTO que impele a qualquer um a chorar – histericamente – e delirar – brutalmente.
O filme, uma releitura do livro de Jonathan Safran Foer sobre o cataclismo de 11-S, é de Stephen Daldry (diretor de BILLY ELLIOT, AS HORAS e O LEITOR) e é responsável por dar corpo e voz ao primeiro drama de Hollywood sobre o evento, que determinou – e para sempre – o mundo em que vivemos.
Basicamente, com a ajuda de Tom Hanks, Sandra Bullock e Thomas Horn, é a geografia sentimental de uma cidade quebrada. Um garoto acidentalmente recebe de herança de seu pai uma chave em um envelope. No envelope, um nome: Black. E sobre o nome, uma missão. E como o garoto é um pouco especial, estará obcecado em patrulhar toda a cidade de Nova York atrás de cada uma dos 472 Blacks que consta da lista telefônica. Porque, sim, a chave deve abrir alguma coisa. O pai, claro, morreu nas Torres Gêmeas.
E, neste ponto, a luz se apaga. O problema não é a aleatoriedade do argumento, incapaz de ser verossímil um só instante; O ranço não é o falso lirismo, muito além do senso comum; O mais trágico não é a desconcertante Arcádia em que supostamente vivem os cidadãos nova-iorquinos antes que o céu desabe sobre suas cabeças. Não… O pior é o sentimentalismo.
Talvez, pela ditadura do sentimentalismo, sempre acreditamos que a emoção é algo de nobre. Qualquer ser desprovido se lamentando é bem-vindo. Não importa o que pensa o que valoriza… Apenas o que sente. E é nessa crença que se constrói o filme de Daldry: Cada cena, cada linha do roteiro, cada gesto responde à intenção muito questionável da lágrima. Claro, que ninguém se confunda, o filme se esforça em todos os momentos em ser inteligente, espirituoso, brilhante… E, claro, chega um momento que irrita.
Pouco importa o quanto os atores pareçam dignos (e são), sempre haverá um avião ou um borrão poético que vai inviabilizar qualquer toque de seriedade. Tudo neste filme é projetado para alcançar o Oscar (na verdade, está entre os nove candidatos) e é trapaceiro pelo que mostra. A boa notícia, não se desespere, é a presença de Max Von Sydow, um homem que trabalhou 11 vezes com Ingmar Bergman. E é nesse momento que o filme brilha. Mas não dura muito…
Spoiler Rating: 68
Pela Assessoria de Imprensa do Festival de Berlim e Agências Internacionais

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jhonatas
Ultimamente temos vistos muitos filmes assim mesmo.
Objetivo quase que único de alcançar indicações para a “medalha de ouro” do cinema. Mas a academia ainda tem muita dignidade e imparcialidade. A prova é esse filme ousado dos franceses em pleno século XXI.
Feb 26th, 2012
Reply to “Tão Forte e Tão Perto”